As Olimpíadas dos Radares

            Está ficando praticamente impossível transitar com veículos pelas ruas de todo o Brasil, é um radar atrás do outro e quando não guardas municipais ficam as escondidas em pontos estratégicos, prontos a retirarem uns pontinhos das carteiras de habilitação e enviarem com muito prazer nas residências em diversos casos as injustas multas a serem pagas em tempo determinado.
         A cada cem metros, assim como em olimpíadas onde existem distâncias a serem percorridas até a chegada de um obstáculo, radares ponto a ponto postados com suas enormes câmeras fotográficas, atormentam o dia-a-dia dos milhares de motoristas brasileiros. Além disso, muitos deles totalmente desregulados, onde o trecho através da placa de sinalização requer uma velocidade de 60 Km/h e o mesmo mal regulado requerendo 50, 55 ou 57km/h, quanta sacanagem, desordem e desrespeito ao cidadão!
         O que está havendo? Onde querem chegar? O que fazer? Uma situação que de alguns anos para cá, tornou-se pior. Em tempos atrás tal situação era um pouco mais amena, no entanto hoje pode se entender que a grande intenção do governo é estabilizar a cada dia a polêmica e abafada “Indústria da Multa”. Dinheiro, dinheiro, recursos e mais recursos para os cofres públicos e o trabalhador, o cidadão de bem continua aí a mercê das safadezas e más intenções políticas.
         Assim como o pedágio, as multas de trânsito possuem teoricamente finalidades de melhorias, mas infelizmente o que se vê não é isso. Buracos em cima de buracos, ruas e estradas mal sinalizadas muita das vezes não por ações de vândalos e sim por displicência e descaso do governo municipal, estadual e federal.
         Mas voltando a questão dos radares, existem ainda as lombadas móveis que lembram muito a entrada da cidade criadora das olimpíadas, Atenas na Grécia. Tais lombadas são altas de cores geralmente pretas e demarcam eletrônica e digitalmente a velocidade em que os motoristas devem passar por elas, é de se ressaltar que as mesmas também apresentam-se as vezes desreguladas aplicando multas injustas.
         As olimpíadas dos radares não ocorrem de quatro em quatro anos, acontecem dia após dia, noite a noite, é só piscar os olhos durante um passeio de veículo pelas ruas e ali está um radar pronto a tirar uma fotinha e como um tradicional “dedo duro”, passar a informação ao órgão de trânsito mais próximo para que esse prepare a mãozinha valente que retira dinheiro dos bolsos dos cidadãos de bens.
         Os guardas municipais ao invés de ficarem na campana atrás de morros e matinhos com câmeras fotográficas, esperando trabalhadores e pessoas de caráter que saem de suas residências com seus veículos somente para a prática do bem, deveriam se preocuparem muito mais com a procura dos vândalos e bandidos que obstruem a boa vida da sociedade. Os papéis que fazem tornaram-se ridículos, pois tentam a todo custo através de suas câmeras , capturarem o máximo de veículos possíveis, para assim multarem sem dó nem piedade seus condutores.
         Sociedade! Vamos dar um basta nisso! Pois do contrário daqui a um curto período de tempo será impossível transitarmos de veículos pelas ruas, já que elas estarão tomadas por completas pelas olimpíadas dos radares, que possuem como “atletas” os guardas municipais, as câmeras fotográficas, as lombadas móveis e a estrela principal que através dos órgãos de trânsito recebe a medalha de ouro, o governo.
         A força do povo é incrível, mas temos que nos unirmos, lutarmos por nossos ideais, comodidades. Vamos brigar por tal conquista, pela diminuição considerada de radares e multas de trânsito, pois se não ali logo ali estaremos pagando para vivermos e sermos felizes.

Douglas S. Nogueira


           

O Poder das Influências


         Qual o poder das influências? Como uma pessoa pode através de seus atos ou conversa, influenciar motivando outra a ser aquilo que nunca foi ou agir de uma maneira diferenciada?
         É felizmente ou em muitos casos infelizmente, indivíduos acabam sendo modificados por fortes influências vindas de um familiar, colega, amigo, cônjuge, namorado ou simplesmente parceiro (a) de trabalho.
         Mas existem dois tipos de influências segundo psicólogos (a) e psiquiatras. A grosso modo podemos dizer que existe a influência positiva, na qual muita das vezes transforma para melhor uma pessoa teoricamente “perdida” e sem foco algum na vida, como é o caso de um recém liberto da prisão, que ao ser solto procura as melhores e positivas amizades com o intuito de reaprender a viver de cabeça erguida sem a necessidade de drogas ou qualquer motivação negativa que seja. Na verdade tal indivíduo, busca ser influenciado por tais amizades.
         Por outro lado, se tal indivíduo ao ser liberto procurar novamente aquelas antigas amizades que as levou um dia para trás das grades, certamente será influenciado de maneira negativa e tudo leva a crer que o seu trajeto será voltado ao rumo da prisão.
         Na verdade as influências positivas infiltram somente nas “cabeças fortes e sábias”, já que um “descabeçado” e teimoso jamais ouve instruções de elevação que o ajudarão a crescer, direcionando seu caminho. Todavia as influências negativas, infiltram tranquilamente na mente desses “descabeçados” ou como muitos dizem “cabeças fracas”.
         Em ambientes escolares as influências são notáveis. Alunos que hoje excelentes e estudiosos, do dia para a noite transformam-se em rebeldes, vândalos e mal vistos por motivo daquele colega que de hora em hora buzinou em sua orelhinha o levando apara o abismo total.
No caso de ambientes de trabalho, a diferença não é muita. Empresas que não detém da política de treinamento após contratações, acabam proporcionando tais fatos de influências. O funcionário recém contratado que inicia seu primeiro emprego, em diversos casos munido de uma boa índole e vindo de uma família estruturada na questão de ética e educação, acaba por deixando na porta da empresa a partir do seu primeiro dia de trabalho, todos esses pontos positivos, já que o seu contato diário será com pessoas altamente negativas e sem foco algum na questão profissional, aí então sua personalidade começa a ser modificada e o mesmo que antes detinha de um alto ânimo, passa a entrar na dança dos incrédulos e desanimados profissionalmente, logicamente que tal funcionário influenciado é um típico “cabecinha de ovo”, ou melhor, mente fraca.
No âmbito familiar as influências também são algo comum onde, por exemplo, irmãos caçulas influenciados pelos mais velhos acabam por rumando caminhos positivos ou negativos e aí no caso dos caminhos negativos nem mesmo os conselhos remediadores dos pais são suficientes para evitarem o pior.
As influências pelo que se vê estão em toda parte e em todo relacionamento humano, como é o caso também de equipes de futebol, onde jogadores tidos como estrelas acabam influenciando os demais a participarem das famosas “igrejinhas”, que tem como objetivo a demissão de técnicos ou diretores que não agradam o elenco. 
Não há como evitar as influências, sempre estaremos sujeitos à elas sejam positivas ou negativas, entretanto o melhor a fazer é tentar discernir as boas das más, aproveitando somente as boas pois serão essas que nos ajudarão a crescer dia após dia.


Douglas S. Nogueira

República de Bagunças e Escândalos

      O Brasil sempre foi um país em tese um pouco desorganizado na questão política. Após a proclamação da república o intuito da mesma visava modificar e dizia então ser algo organizado, respeitoso e para todos.
         Mas anos foram se passando a república já totalmente instituída e de certa forma estabilizada agravou ainda mais os problemas políticos no Brasil que pareciam ter aumentado significativamente, escândalos, bagunças, corrupções, desordens por toda a parte do Congresso Nacional.
         Presidentes foram sendo eleitos anos a anos, o povo votando, elegendo, entretanto com a grande impressão de que a república era nada mais nada menos do que uma ditadura, monarquia disfarçada, já que os eleitores elegiam numa espécie de marketing desonesto aqueles candidatos que a mídia desejava e sabemos que até hoje é assim, somos manipulados à votar em quem a imprensa de um modo geral deseja e o resultado já conhecemos, dinheiro na cueca, mensalão, escândalos como o de Erenice Guerra, desacertos parlamentares, corrupções como a de Fernando Collor de Mello que na época de seu mandato quase levou o Brasil à falência, além da morte inexplicável de Paulo César Faria (PC Farias,) o recente impeachment de Dilma Rousseff, onde visivelmente ficou impossibilitada de trabalhar devido a “boicotes interesseiros” do congresso nacional, afetando como consequência toda nação,  entre outros.
         Nos dias atuais os problemas políticos republicanos parecem não terem fim, pois além de corrupções, escândalos e bagunças constantes, o Brasil agora apresenta ao mundo algo ridículo, candidatos fanfarrões como é o caso de Tiririca, que queiramos ou não é um humorista ou melhor palhaço, ex-jogadores de futebol que encerradas suas carreiras já milionários, partem para a política em busca de manipularem através de seus nomes e do que fizeram pelos clubes, a cabeça de milhares de eleitores que logicamente são torcedores daqueles mesmos clubes que tais ex-jogadores se destacaram, além de pessoas que nada tem a ver com a política, cita-se aí o falecido Clodovil.
         Não se há mais respeito pela república brasileira, a grosso modo qualquer um pode envolver-se com ela e manipular de forma desonesta a cabeça do povo. Ficou fácil muito fácil, utilizar a política como válvula de escape para se ganhar dinheiro, poder ou não apagar o seu nome da mídia.
         É isso, infelizmente é isso que já ocorria e hoje está à tona. Não se há mais restrições para uma pessoa tornar-se político, tudo bem que na implantação da república, o lema era “para todos”, talvez tal lema foi o responsável direto por toda essa bagunça e desorganização atual, pois muitos utilizam-se do mesmo para “aproveitarem” e se infiltrarem na política como uma forma de enriquecerem-se e tornarem-se famosos.
         A verdade é que o Sr. Marechal Deodoro da Fonseca, instituiu de forma incorreta a república no Brasil, e tudo que começa errado progride e termina errado. Na criação da República, Fonseca deveria ter deixado claro em linhas documentadas, que a mesma era algo sério, para o bem do povo e não para a manutenção pessoal, além do mais, declarado que era sim para todos, porém com algumas restrições como: ser alfabetizado, participar freqüentemente de associações voltadas ao bem-estar social, enfim detalhes que certamente evitariam fazer do eleitor atual um verdadeiro trouxa que é ainda obrigado a votar. Obrigado a votar... democracia ou ditadura?
         A república brasileira teria conserto, se fosse destituída, refeita, planejada e instituída novamente com o único intuito de promover a satisfação do desiludido povo brasileiro.


 Douglas S. Nogueira

Não vivemos, vegetamos

           A correria do dia-a-dia, não nos deixa viver, apenas nos faz vegetar, ou seja, tornar nossas vidas escravas do materialismo mundano.
         Hoje o que importa para nós seres humanos é trabalhar, trabalhar e trabalhar, não nos importamos mais com os bens intelectuais, sociais ou sentimentais que poderiam estarem agregados ao nosso viver. Vivemos para trabalhar e sermos manuseados pelo dinheiro, que nos escravizou impiedosamente.
         Religião, estudos, lazer fazem parte do passado, de uma época tranqüila, serena, pacífica livre de seres que vegetavam em busca do inútil, daquilo que no futuro nada traria de proveito, de sadio para uma velhice inevitável. As pessoas dos dias atuais muita das vezes pensam até mesmo em morrerem, livrarem-se definitivamente desse mundo apressado que corre desesperadamente sem rumo algum.
         Estamos bem perto de nos tornar robôs humanos, aqueles que saem de casa para o trabalho, preocupados com a fórmula mágica de como ganhar mais dinheiro, ser rico, ter status, grandeza, poder. Nesse trajeto até o posto de trabalho esqueceremos que o mais importante de estar aqui é viver, mas viver de verdade, respirando o ar, contemplando as estrelas e agradecendo a quem nos criou, por estamos vivos, fazendo parte da família Terra.
         O mais triste é que as pessoas atualmente olham umas para as outras como adversárias, rivais, concorrentes que atrapalham a chegada ao topo do poder ou apenas da sobrevivência, e infelizmente se puderem eliminar umas às outras, eliminam sem pensarem nas conseqüências imediatas de tal ato. É uma vivência descontrolada, irracional.
         Realmente não vivemos mais, vegetamos, lutamos para tentarmos ganhar um dia a mais em nossas vidas. Alguns seres humanos, como já falado pensam em desistir de tudo visando a sepultura, todavia, outros perseguem bravamente a permanência no território dos vivos, pois amam viver e temem grande mente a morte.
         Há pessoas que, na ânsia de vencerem os obstáculos inevitáveis da vida vegetam incessantemente, trabalhando até mesmo em dois, três ou mais empregos, ou ainda permanecendo dia e noite no trabalho, sem sentido algum, carregando apenas a ilusão mental de que são reconhecidas e de que protegem bravamente suas vidas financeiras.
         Viver não é isso, essa loucura, esse desacerto de nós mesmos. Viver é logicamente trabalhar, ter status, poder entretanto, é conquistar tudo isso com sabedoria, valorizando a família, que é nada mais nada menos do que o nosso alicerce fiel e principalmente dando valor ao nosso respirar, a vida.
         O mundo pelas circunstâncias atuais, nos convida a não vivermos, e sim a vegetarmos, mas precisamos recusar tal convite e vivermos sim, para que amanhã possamos estar livres de arrependimentos ou o pior beirando a depressão mental, que nos levará aos pensamentos ridículos de acabarmos com o nosso viver.
         É triste conversar com uma pessoa idosa que vegetou durante toda a vida, as palavras delas são apenas essas: trabalhei bravamente por minha família, porém hoje me arrependo por não viver com eles, não viver para mim, não vivi, não vivi, apenais busquei trabalho, dinheiro. Tristeza essa, exemplo desolador de um ser humano que nada buscou na vida de belo, somente visou recursos materiais, e sem consciência tornou-se escravo da vida, do dinheiro.
         Essa vegetação “obrigatória” de inúmeros indivíduos, mostra que nada é mais importante do que lutar para viver e não peregrinar para sobreviver. Estar vivo já é o maior dos presentes que recebemos, portanto zelar por ele, é questão de inteligência recheada de muita sabedoria.



Douglas S. Nogueira

Fé ou Ciência?

          Fé ou ciência? No que acreditar? Duas forças que a milhares de anos vem tentando persuadirem a humanidade de alguma forma, lutando para convencerem o povo das verdades de suas teses. A fé baseada no cristianismo e na escrituras bíblicas, luta dia após dia para contrariar o que a ciência relata como certeza, já que a fé se apega no ser supremo Deus, por outro lado a ciência nas teorias de grandes cientistas, filósofos, historiadores não somente do passado como também do dias atuais.
         Mas, o que levaria um ser humano a optar por uma ou pela outra? Acreditar na escrituras bíblicas apegar-se a Deus e viver o cristianismo, para muitos parece uma verdadeira idiotice, pois esses imaginam que tais pessoas que vivem baseadas nesses três pontos, acreditam no não concreto, em algo surreal e não existente, pelo fato de para eles Deus não aparecer em carne e osso, no entanto os cristãos desprezam tais teorias e teses científicas, já que entendem que as mesmas são obras de simples homens falhos, pecadores e loucos.
         A verdade é que em meio à essa árdua disputa de anos e anos entre fé e ciência, há uma grande e polêmica observação, nenhuma das duas provou cem por cento toda a verdade, como assim? Ambas desde o passado até os dias atuais, não conseguiram provar realmente as verdades passadas do planeta Terra.
         Existiram dinossauros? E os maias, incas cadê? O que houve com essas civilizações? Jesus Cristo passou pela Terra? Logicamente que sim, há inúmeras provas sobre isso, principalmente em Israel. Mas ele foi realmente aquele quem relata a bíblia? A fé diz que sim, a ciência despreza tal afirmação, contradizendo-a como que um mero homem que viveu em meio a Judéia. E as estrelas perigosas, meteoros e planetas violentos que se aproximam? Segundo cientistas da NASA (National Aeronautics and Space Administration), aí vem eles! Mas, será que apenas viriam se Deus permitisse?
         O naturalista britânico Charles Robert Darwin que lançou a tão famosa e discutida teoria da evolução no ano de 1859, foi, é e sempre será contestado por aqueles que crêem na bíblia, já que lançou aos ares no referido ano uma complicada e ao mesmo tempo interessante tese, de que os seres vivos que sobreviveriam na Terra seriam somente os mais fortes, como para ele foi o caso do homem vindo dos grandes macacos, que se transformou no que hoje somos para sobreviver no início do mundo em meio a feras selvagens. Mas e aí?
         A fé baseada na bíblia e no cristianismo deve ser grandemente respeitada, pois com suas forças e teses já provou diversas e diversas vezes sua capacidade de cura e mudança na vida do ser humano. Todavia a ciência também é uma força digna do mesmo respeito, pois apesar de suas teorias serem criadas e desenvolvidas por homens sujeitos a grandes falhas de pensamentos, tudo o que dizem na maioria delas expressam detalhes interessantes e concretos.
         O ano de 2012 está batendo às portas, teorias e teses passadas deixadas pelos maias, anunciam catástrofes horrorizantes no ano que chega. A bíblia de uma maneira enigmática (segredos), também relata e afirma um ano de destruições.
         E 2011 que está se encerrando? Um calendário que apresenta cálculos e mais cálculos estranhíssimos, como é o caso da soma do ano de nascimento com a idade das pessoas completadas agora, resultarem inexplicavelmente em 111 ou 11. E aí? A ciência diz que são simples e lógicos cálculos matemáticos, já a igreja baseada na bíblia contradiz, dizendo que isso é mais uma real e concreta prova de que Deus existe e está no comando de tudo.
         Fé ou ciência? Bíblia ou teorias científicas? No que acreditar? Nenhuma ainda venceu e convenceu a outra, disputam, disputam e acabam ajuntando forças e andando lado a lado. Mas, em que acreditar? Nas duas? Talvez.

 Douglas S. Nogueira

        



Cocô e Xixi na Bimboca do Seu João

Bimboca feia pequenina,
Em beira à esquina,
Do bairro Santa Inês
Na cidade de Moruamba.
 
A gatinha Geraldina e o cão Feliciano,
Amizade surpreendente do século XXI.
Reinam felizes e radiantes,
Na bimboca do Seu João.




O cheiro a levantar,
No explanar de toda manhã.
Cocô e xixi a cheirar
Pelo ladrilhar da Rua Tarumã.

Seu João envergonhado
Ganhando fama de porcalhão,
Luta constante com Feliciano e Geraldina,
Por um pouco mais de educação.

O odor insuportável,
Ganha manchetes de jornais.
A bimboca do Seu João,
É privada de animais!

Douglas S. Nogueira



A terra da inadimplência

      É incalculável o número de inadimplentes no nosso país. Para quem não sabe, inadimplente é o indivíduo que não sana suas dívidas, o popular caloteiro.
         Existem milhões de pessoas em todo o Brasil que fazem parte das listas de devedores e que são cobradas periodicamente pelo SERASA (Centralizadora dos Serviços dos Bancos S/A) e SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Mas, será que tais pessoas não sanam suas dívidas por motivo de desemprego, dificuldades financeiras ou simplesmente pela vergonhosa falta de caráter?
         Infelizmente não há como medir a distância entre as dificuldades financeiras de um indivíduo (a) e sua grande ausência de caráter e brio. Muita das vezes sabemos que a pessoa vende o almoço para comer a janta, tudo bem isso é um fator a ser ressaltado, no entanto a mesma sem recurso algum sai pelo centro da cidade ou em seu bairro mesmo gastando o que não tem e ficando a mercê do título do filme “ A Espera de Um Milagre”, isso é ridículo! E pior, geralmente tais indivíduos, mal se preocupam em procurarem um trabalho rentável, isso quando possuem, já que em diversos casos os mesmos acordam pelas dez da manhã vão soltar pipa ou fofocarem pela vizinhança a fora.
         É triste saber que um país como o nosso tão lindo em riquezas naturais e dono de um status belíssimo na questão esportiva, possui também um dos maiores índices de inadimplência do planeta, praticamente a cada esquina encontra-se um caloteiro, deve ali, deve aqui, para o padeiro, verdureiro, para a farmácia, Casas Bahia, Lojas Cem, não pagou o IPVA, comprou roupas do vizinho e até hoje faz de conta que nada aconteceu, enfim, casos e mais casos de pessoas inadimplentes que convivem com o infeliz desacerto financeiro, nomes no SPC ou SERASA e com a triste realidade de serem sempre barradas no ato de uma compra em qualquer estabelecimento até que sanem dignamente suas dívidas.
         Os famosos “nomes sujos” de forma impressionante, parecem não se preocuparem com a situação em que se encontram suas imagens na posição de clientes, deixando dia após dia que o imbróglio continue o seu processo de transformação em uma grandiosa bola de neve.
         O mais complicado é saber que no Brasil assim como em muitos países, a inadimplência é isenta de punição e portanto os inadimplentes pintam e bordam caloteando sem parar, livres de qualquer incômodo vindo da lei.
         A inadimplência aqui no Brasil, deveria ser considerada um verdadeiro e grandioso crime digno de prisão por no mínimo algum tempo, pois imagine bem, você não pagou um valor por algo que pegou de alguém, então simplesmente você roubou, não é verdade? E cadê a punição para os inadimplentes, caloteiros de carteirinha, cadê? Simplesmente barrá-los no ato de uma compra, não pode ser considerada uma punição, algo maior vindo da justiça deveria ser colocado em vigor. Não pagou, está devendo? Cana, cadeia!
         Com uma lei que nos obrigue a sanar nossas dívidas, certamente o Brasil perderia esse status de “Terra da Inadimplência”, pois as pessoas pensariam duas vezes antes de saírem por aí sem recurso financeiro algum gastando o que não possuem, entidades deixariam de lado o rótulo de mal pagadoras em relação às outras, a coisa com certeza iria mudar.
         O novo congresso que aí está, poderia pensar em uma lei nesses parâmetros, obrigando a cada cidadão brasileiro a sanar suas dívidas, do contrário cadeia, pois viver em um país onde praticamente a cada esquina existe um devedor inadimplente é horroroso, e principalmente em uma nação que se diz disposta a buscar o melhor status internacional.

Douglas S. Nogueira